Recentemente conversava com algumas pessoas sobre o futuro profissional. O mercado em alta, as expectativas pessoais, as expectativas dos contratantes, e lembrei-me de um poema que li há alguns meses atrás, de uma poetisa até então desconhecida para mim. Seu nome: Wislawa Szymborska, ganhadora do Prêmio Nobel de Literatura de 1996.
A polonesa octogenária, com uma escrita poético-filosófica cativou-me com os seguintes versos tão atuais:
Escrevendo um Currículo (extratos)*
por Wislawa Szymborska
(…) ” O currículo tem que ser curto mesmo que a vida seja longa. Obrigatória a concisão e seleção dos fatos. Trocam-se as paisagens pelos endereços e a memória vacilante pelas datas imóveis. De todos os amores basta o casamento, e dos filhos só os nascidos. (…) Associações a quê, mas sem por quê. Distinções sem a razão. Escreva como se nunca falasse consigo e se mantivesse à distância. (…) Antes o preço que o valor e o título que o conteúdo. (…) Acrescente uma foto com a orelha de fora. O que conta é o seu formato, não o que se ouve. O que se ouve? O matraquear das máquinas picotando o papel.”Muitas vezes gostamos de algum texto, frase, poema e os guardamos para usar em algum momento oportuno. Outros são enviados para nossa lista de amigos e contatos, ou publicados no Facebook, Twitter etc. Conheci profissionais de publicações deste gênero e, certamente a maioria das pessoas se contenta apenas em lê-los e achá-los bonitos, profundos, interessantes.
Porém não refletem sobre o seu conteúdo. Apreciar, aprender, significa ir além. Aprofundar-se no que as palavras revelam, experimentar sua profundidade, ir além da beleza estética. Superar a plasticidade da aparência e mergulhar nas profundezas do sentido. Esta é a beleza das reflexões e pensamentos.
Onde se vê beleza e sentido, onde se vê razão e conteúdo, podemos nos dedicar a aprender e ser um pouco melhores em nossa jornada de aprendizado, em nossas vidas.
Szymborska faleceu este ano (2012), mas deixou um legado poético maravilhoso, sobre o qual, vale a pena refletir e pensar.
Quem sabe rescreveremos nossos currículos a partir dele?
Marco, como sempre conversamos, quando aprendemos a apreciar a jornada, o destino é apenas uma “desculpa” para quem quer viver intensamente… Belo texto! Excelente reflexão! Bj