Certamente já tivemos muitos encontros e desencontros em nossas vidas, portanto, este título pode ser mais um clichê, mas a história que se segue, é simplesmente a história de um encontro entre irmãos, de um reencontro para um pai, e de um desencontro no passado já distante, em tempo e em lugar.
Ambos nascemos em Berlim, porém, nossos destinos nos levaram a lugares distintos. Fomos em momentos diferentes, para as Américas. Ele, para a do Norte, e eu, para a do Sul. Crescemos, tivemos irmãos, casamos, descasamos e hoje nos encontramos.
Na realidade, nosso encontro já havia ocorrido por emails trocados no ano passado, e depois, em algumas videoconferências. Porém, fiquei feliz mesmo em encontrá-lo pessoalmente, e saber que contribui, após tantos anos de procura, para que encontrasse seu pai, e que ao mesmo tempo, é meu pai.
Meu meio irmão mais velho. Até agora eu era o mais velho!
Naquela tarde de final de verão, no aeroporto de São Paulo, emocionados, tivemos nosso encontro de família. Com seus quase 80 anos, nosso pai já não reagiu mais da mesma maneira que eu o via reagir há alguns anos. Sua reação lenta e gradual, emocionada. Com a voz embargada e lenta, esforçando-se para falar em inglês, me emocionou também.
Mais adiante, já em casa, o encontro ou reencontro, fazia do apartamento de meus pais uma “torre de Babel”. Os idiomas se misturavam em uma ansiedade e uma disposição por nos fazer entender e compreender uns aos outros. Esta diversidade de idiomas é divertida.
A vida nos traz surpresas, venturas e desventuras. Somos o resultado de nossas decisões e atos. É verdadeiramente incrível como algumas coisas que fazemos, desenvolvem-se ao longo dos anos de uma forma que sequer imaginamos. Sem julgar ou criticar, apenas constato que, aquilo que ocorreu no passado, nos proporcionara um novo momento agora.
Um encontro entre irmãos. Para meu pai, um reencontro. No passado, ficaram os desencontros. Caminhos que se cruzaram e se descruzaram. Pessoas, amores, maridos, esposas, gente com a qual vivemos ou convivemos, que encontramos ao longo do caminho, e que agora nos são distantes. Os desencontros da vida, são mais comuns do que pensamos.
Lembro me de um trecho de Vinícius de Moraes, (…) A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida. (…) No desencontro do passado, ele encontrou uma porta para o encontro presente.
Tive a grata oportunidade de estar com meu novo e mais velho irmão por alguns dias. Viajamos juntos por alguns lugares próximos. Falamos de muitas coisas, juntamos alguns pedaços do quebra-cabeças que a história dele, a minha e a de nossos pais possui.
Foram poucos dias. Pouco, para quem passou tanto tempo sem se conhecer. Aprendemos um com o outro, compartilhando nossas horas juntos, nossas refeições, carinhosamente servidas e preparadas, músicas que gostamos, ideias e concepções de vida e de mundo. Fizemos planos, compartilhamos nossos sonhos e, sinto-me feliz por cada minuto que estivemos juntos.
Com meu irmão mais velho, aprendi mais algumas coisas importantes sobre a vida. Às vezes, estas surpresas nos fazem pensar, refletir sobre cada passo, sobre cada decisão que tomamos.
Nos despedimos no final de uma tarde de feriado, sem dizer muitas coisas. As despedidas agora, são mais dolorosas por não estarmos tão próximos geograficamente, ainda que toda tecnologia nos aproxime e nos conecte. Hoje ele se despede de meu pai e amanhã estará novamente em sua casa, em uma floresta da Virginia.
Não sei quando nos encontraremos novamente. Sei apenas, que este encontro foi uma das coisas mais importantes de minha vida e isso é o que importa.
Obrigado meu irmão, por esta oportunidade.
Até breve.




